Pesquisador Rudiney Ringenberg afirma que a presença da doença pode ser fatal para as plantações, podendo levar ao extermínio em até quatro anos
O pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Rudiney Ringenberg revelou preocupação com o avanço da doença couro-de-sapo sobre as lavouras de mandioca. O risco de perdas totais e irreparáveis é real, e isso exige medidas imediatas dos produtores.
O complexo viral que provoca a doença nas raízes pode ser transmitido por meio de plantadeiras e equipamentos de corte. Os vírus se instalam na planta saudável e comprometem todo o sistema hormonal, comprometendo a produção de amido e, portanto, o desenvolvimento das raízes.
Tomando como exemplo a paraguainha, que é a principal variedade para fins industriais, o pesquisador da Embrapa fez uma projeção apocalíptica: “Se não tomarmos providências agora, a paraguainha está fadada a sumir do mercado”. Os cálculos indicam que, a partir da contaminação de uma planta, o tempo para alcançar toda a lavoura seja de aproximadamente quatro anos.
Os sintomas da doença surgem pouco a pouco, tornando-se mais evidentes a cada ciclo. No primeiro, as raízes não sofrem alteração de tamanho, mas começam a apresentar pequenas ranhuras. A partir do segundo, as ranhuras se tornam mais evidentes, o que revela a evolução dos vírus. Na fase mais severa, a couro-de-sapo interrompe a produção de raiz.
Apesar dos danos causados abaixo da terra, a parte aérea não sofre os efeitos da doença. “Dentro de uma lavoura com couro-de-sapo, as plantas mais vigorosas são as mais comprometidas, porque não acumulam amido na raiz, sobrando mais açúcar livre para crescer a parte aérea”, explicou Ringenberg.
Cuidados – A principal orientação para evitar a proliferação da doença é fazer a seleção e eliminar as plantas infectadas. Órgãos de pesquisa, como a Embrapa e o IDR-PR (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná), contam com técnicos capacitados para identificar os sintomas da doença. Outra possibilidade, que exige investimento significativo, é recorrer a análises laboratoriais.
Independentemente da presença da couro-de-sapo nas plantações de mandioca, o pesquisador da Embrapa destacou que é preciso fazer a higienização constante dos equipamentos cortantes. A desinfecção consiste na limpeza com uma solução simples de água, sabão neutro e água sanitária, na proporção de um terço para cada ingrediente.
E quando o produtor decide apostar em novas variedades, lançadas recentemente pelos órgãos de pesquisa, o ideal é que não sejam plantadas junto com as anteriores. A possibilidade de infecção põe em risco a sanidade e compromete o teste produtivo. A dica é deixar uma linha de terra sem plantio, para que não tenham contato com ramas contaminadas.
Cooperação do setor – As informações foram repassadas a produtores e empresários do setor durante reunião dos associados da Abam (Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca) e do Simp (Sindicato das Indústrias de Mandioca do Paraná), na semana passada.
O avanço da couro-de-sapo nos principais polos produtores de mandioca da região Centro-Sul acendeu o sinal de alerta dos industriais, que recorreram à Embrapa em busca de novas informações sobre a doença.
A partir de agora, o objetivo é alcançar os mandiocultores e chamar a atenção para o problema. Colaboradores das indústrias também deverão passar por capacitações para que estejam aptos a identificar os sintomas da couro-de-sapo nas raízes e, assim, alertar os fornecedores.

